terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

o Cabo da Boa Esperança

ao longe fica aquele magnífico Atlântico: marinho profundo coroado com uma espuma resplandecente (sabe a sorvete de limão, tal é a frescura do seu sabor...)

saudades daquela luz, vida, daquele sol luminoso
escalda a minha pele só de saudade da tua paz e da tua inconstância, da tua alegria...

regressa a mim a liberdade que me dás, devolve-me a meninice que não tive oportunidade de viver

deixa-me viajar nos teus sons, nos teus ritmos... (s)acode o meu corpo e sossega-me a alma

a minha canção de embalar

não sei ao que sabe, nem sei ao que cheira...
não sei que sensação me dá...
só sei que me põe um sorriso nos lábios, acalenta e apazigua a minha alma

fiz questão de não gravar...
o sabor dos teus beijos, o odor da tua pele, o toque dos teus dedos, o deslizar do teu nariz pelo meu pescoço, o roçar da tua barba, o aperto dos teus abraços...
mas são essas mesmas não-lembranças que me ninam e mimam durante as noites...

réplicas, num presente, de um passado que não passa

não me queria deixar entorpecer por esta saudade
não queria ficar nesta expectativa, que só eu criei, de receber um sinal do além...
não é do Japão, não... é da terra do Sol poente... das terras aonde perdi o meu norte, naquele nordeste desconhecido...
não queria estar neste não-estado de ilusão de um futuro (inexistente e) infalível, que estranhamente que só não é exequível pela mesma razão que o torna infalível: o sonho!

Eles não sabem, nem sonham,
que o sonho comanda a vida.
Que sempre que um homem sonha
o mundo pula e avança
como bola colorida
entre as mãos de uma criança

António Gedeão




nem pedra nem ferro amolecem a vontades: elas não têm a força da água... infelizmente, também não são soluto em minhas lágrimas secas, nos meu gritos mudos: meus solventes ineficazes... não tenho solução?!

não sei a que me agarrar: se à racionalidade se à esperança vã...



Alma minha gentil, que te partiste
Tão cedo desta vida, descontente,
Repousa lá no Céu eternamente
E viva eu cá na terra sempre triste.

Se lá no assento etéreo, onde subiste,
Memória desta vida se consente,
Não te esqueças daquele amor ardente
Que já nos olhos meus tão puro viste.

E se vires que pode merecer-te
Alguma cousa a dor que me ficou
Da mágoa, sem remédio, de perder-te,

Roga a Deus, que teus anos encurtou,
Que tão cedo de cá me leve a ver-te,
Quão cedo de meus olhos te levou.

Camões


Não tão dramática, não tão fatalista, mas igualmente suplicante...

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

hoje acordei com a Mafalda

por ter acordado com ela obriguei-me a dizer que:
  • cada dia que passa mais me custa, mais me revolta, ter que me levantar de cada vez que o despertador toca
  • cada dia que passa mais insuportável se torna estar trancada num sítio que quase abomino, que me sufoca, que me destrói, que me desvitaliza, que me corrói por dentro
  • cada dia que passa mais vontade tenho de chorar...
  • ... mas em cada dia que passa mais energia arranjo para suster as lágrimas dentro de mim, pensando com esperança, no dia em que poderei libertá-las por júbilo: o dia em que eu me libertar da prisão em que me encafuei... mea culpa, mea maxima (e única) culpa
preciso de férias comigo, com o meu ser, para me encontrar!
só aí me poderão encontrar