não me queria deixar entorpecer por esta saudade
não queria ficar nesta expectativa, que só eu criei, de receber um sinal do além...
não é do Japão, não... é da terra do Sol poente... das terras aonde perdi o meu norte, naquele nordeste desconhecido...
não queria estar neste não-estado de ilusão de um futuro (inexistente e) infalível, que estranhamente que só não é exequível pela mesma razão que o torna infalível: o sonho!
Eles não sabem, nem sonham,
que o sonho comanda a vida.
Que sempre que um homem sonha
o mundo pula e avança
como bola colorida
entre as mãos de uma criança
António Gedeão
nem pedra nem ferro amolecem a vontades: elas não têm a força da água... infelizmente, também não são soluto em minhas lágrimas secas, nos meu gritos mudos: meus solventes ineficazes... não tenho solução?!
não sei a que me agarrar: se à racionalidade se à esperança vã...
Alma minha gentil, que te partiste
Tão cedo desta vida, descontente,
Repousa lá no Céu eternamente
E viva eu cá na terra sempre triste.
Se lá no assento etéreo, onde subiste,
Memória desta vida se consente,
Não te esqueças daquele amor ardente
Que já nos olhos meus tão puro viste.
E se vires que pode merecer-te
Alguma cousa a dor que me ficou
Da mágoa, sem remédio, de perder-te,
Roga a Deus, que teus anos encurtou,
Que tão cedo de cá me leve a ver-te,
Quão cedo de meus olhos te levou.
Camões
Não tão dramática, não tão fatalista, mas igualmente suplicante...