terça-feira, 31 de agosto de 2010

o meu fio de Ariadne

esqueço-me de quem sou, da minha existência e renasço naquele regaço...

vive em mim um motim, sedição dos meus sentidos e sentimentos: não sei o que os meus olhos inalam, o que os meus ouvidos perscrutam, que zumbido o meu nariz capta, muito menos o que os meus dedos vislumbram!!!

saboreio cada momento, cada pausa no tempo, neste meu tempo, neste nosso tempo! ampulheta tombada, e preguiçosamente a água de tal clepsidra se acama... e nela me deixo flutuar, dela levito no doce e quente ar do teu sussurro!

estou perdida! não!!! tu me encontras, sempre… daquele lugar inóspito onde um labirinto me encontrou, tu resgataste-me; do Minotauro, que era o meu mundo, tu me socorreste, e foste a minha Ariadne…

em deleite me encontro e deste êxtase não quero sair porque em mim não estou, mas em mim não quero estar!

sexta-feira, 20 de agosto de 2010

um imbondeiro


hoje acabei de escrever uma coisa que comecei há quase um ano. ainda assim, sinto necessidade de escrever mais e mais...

tenho a sensação que tenho andado desligada do mundo, que lhe tenho prestado pouca atenção!


tenho dias que sinto um dever incontrolável de prestar uma homenagem ao mundo, à vida, à minha vida, à vida dos meus amigos, à vida de quem eu amo e me ama também! quero abrir bem os braços e de um folgo só abraçá-los, abarcá-los e nunca mais largá-los!


(...)

quero plantar uma árvore (eu acho que já fiz isso quando era pequena), mas desta vez, um imbondeiro!! oh árvore majestosa e intrigante!! já repararam que no Cacimbo ela parece que está de cabeça para baixo?! as suas raízes esgueiram-se para os céus dando assim descanso aos galhos que durante longos dias, torridamente humedecidos, se debateram com a poeira que se (a)levanta no final de cada tarde alaranjada... e hibernam! hibernam até ao dia em que as raízes regressam à sua casa, voltam-se para o seu mundo subterrâneo... mas quero sim plantar uma árvore e ter a oportunidade de ver nela minhocas rastejando, aranhas, habilmente a tecer suas "ratoeiras", casulos em flor, debulhando borboletas... galhos iluminados por pirilampos dançando ao som inebriante das cigarras...
(...)

quero desfrutar, provar essa fruta madurinha, docinha que é a vida; lambuzar-me no seu sumo tal criança comendo uma manga do Mussulo e depois, deitar-me na areia e sentir o calor das ondas no mar a penetrar pelas minhas veias, atingindo o meu âmago e assim libertando-me...

geração sem ambição e sem coração

Palácio Dona Ana Joaquina Séc.XVIII

olho para os amigos dos meus pais, para as tias e tios, para as madrinhas e padrinhos, para os mais velhos, para as avós e para os avós e invejo-os... invejo-os porque eles sabiam o que queriam e do que precisavam. sabiam que armas usar, e se não soubessem, inventavam-nas. não tinham nada, ou o que lhes diziam que eles tinham; a cada passo que davam para a frente para a alcançar ,dois aumentavam ao seu trajecto...


nós temos tudo e por isso não sabemos lutar por aquilo que precisámos... muito menos damos valor ao que nos dão, ou que simplesmente está à nossa disposição!

vamos todos kizombar no dia 10 de Novembro!!! mas muitos ignoram que se temos o dito privilégio de desbundar no dia que antecede o da Dipanda foi porque, ou na sua casa, ou na casa do vizinho alguém deu lágrimas, suor, um dia (ou mais) sem comer, horas intermináveis numa prisão desconhecendo a sua sorte... na sua casa, ou na do nosso vizinho, deram filhos, pais, mães, sobrinhos, irmãos: sangue, para hoje, um zé ninguém poder ter o poder de comprar um Tubarão, casas de 5 milhões de dólares...

tenho vergonha de mim por pouco ou nada fazer para que a floresta da Ilha de Luanda não desapareça, para que existam, novamente flamingos no Mussulo, ou para poder voltar a apanhar kitetas na ilha (sim! cheguei a fazer isso!!)

corroo-me com a minha inacção, por não gritar, esbravejar em viva voz contra a chacina cultural, histórica e arquitectónica que as cidades, vilas, aldeias, kimbos, deste país magnificamente inclassificável vai sofrendo.

que nos impregnemos em algo mais do que o nosso comodismo e egoísmo; saibamos reeducar: extinguir a matumbice, incultura e a falta de civismo; valorizemos quem se dilacerou, esventrou e se apagou para podermos ser livres como nos conhecemos

mas menos ainda: não conspurquemos a alma de quem nos deu a liberdade!

domingo, 8 de agosto de 2010

não pode!! :)


o meu ego foi atingido pela minha ingeniudade, manipulado por vinte e uma primaveras e está preste a ser dissecado pela minha auto-estima...

gostaria de ter maturidade suficiente para saber lidar como o meu Eu e capacidade para saber dizer: "I'm too old for this shit!" mas só consigo pensar: "Daaaaammnnnnn, it feels so good!!" (ahahahahah - este é o meu riso maléfico!)