quarta-feira, 25 de maio de 2016

a outra que dança por mim

sinto cada uma das gotas a percorrerem o meu corpo, por entre os meus seios, por entre as minhas omoplatas até às minhas nádegas...
mais uma volta...
libero-me de todos os tabus, vergonhas e timidezes... assumo a galdéria que há em mim e ondulo o meu corpo entre os braços de desconhecidos. sabe tão bem!!!!! sinto-me tão livre, como se transposta para outro corpo!
dizem-me que pareço outra pessoa. perguntam-me porque não sou sempre assim, fora dos meus passos gingados: tão segura de mim, tão bela, tão sensual, tão mulher!

...

cerro os olhos e de novo me translado para aquele ritmo
sinto o deslizar das minhas coxas, uma na outra; por cada pirueta dada, as bofetadas dos meus cabelos riscam o meu rosto; as mãos firmes de um qualquer a conduzir-me num Miami-walk

não sinto cansaço algum. os meus pés gritam por socorro mas são eles que novamente me conduzem para um show que é só meu: bailarina principal num espectáculo sem espectadores.
...
retorno a mim e ao meu casulo. mais leve e com um sorriso esgotado, abraço as minhas almofadas, como se de um novo parceiro se tratassem e numa musica só minha me deixo ir... até à próxima quarta-feira!

terça-feira, 19 de janeiro de 2016

Dúvidas existenciais de uma gaja: o relato da meia-noite

Deito-me e penso:
O que vou vestir amanhã? Acho que me vai apetecer uma roupa confortável, mas quero-me sentir bonita! Pois... Já começas a querer demais! Um vestido, talvez, mas acho que hoje também olhaste e não encontraste alguma coisa que fosse alegre, confortável e que te servisse, foi por isso que vestiste umas calças. Mas vais de calças outra vez?? Fazem tanto calor!! Olha, não te mates! Faz como todos os dias de manhã: abre o guarda-fatos e qualquer coisa vai sair de lá, disparado a dizer:"  VESTE-ME!"

sábado, 6 de setembro de 2014

Bia, Não me faças perguntas cuja resposta desconheço

Terá sido a forma como olhaste para mim quando me convidaste para dançar?
Terá sido a forma como os teus braços envolveram o meu corpo, naquela primeira dança?
Terá sido o teu sorriso que me raptou a alma e levou-me a sorrir de volta?
Terá sido a pura curiosidade por estar perante um objecto desconhecido?
Terá sido a tua carícia?
Terá sido o facto de me teres “ignorado” quando eu mais desejava falar contigo e não tinha o que dizer e muito menos como dizê-lo?

Já não acreditava que poderia voltar a amar alguém e de repente, apareces tu, do nada, no meio de uma dança, no meio de tanta gente.

És mesmo o meu Tio Patinhas?! Só pode! É a única resposta que posso aceitar como certa, porque se não fores, porque motivo fico tão desorientada, tão desconcentrada, tão a flutuar?!

A minha alma flutua, flutua, flutua! Cada vez voa mais alto, tipo um papagaio largado ao vento e por ali fica desenhar as suas piruetas no ar, dançando ao sabor dos teus mandamentos.

Já não acreditava que alguma vez me poderia deixar ir e ficar desta forma descontrolada, quase no limiar da insanidade.

Por mim, não dormiria uma noite sequer, só para poder aproveitar ao máximo os momentos em que me acusas de abalar as crenças do Camões... momentos em que este TGV já não pode ser parado. Toda a viagem é fascinante: as diferentes paisagens geradores de êxtase, o pára-arranca, a entrada e a saída de um passageiro misterioso... e a paragem terminal ainda por vir!

Sou tomada pelo medo e inquietude. Vou ignorá-los e dizer-me: “Em breve beijarás aqueles lábios, abraçarás toda aquela massa que te transporta para outra galáxia e daquele sabor forte em chocolate, novamente provarás com tanta ou mais intensidade.”

Rita, vou cumprir com a tua “ordem”: Fazer o que meu coração manda.

sábado, 21 de junho de 2014

e foi assim que aconteceu

e porque em cada dia eu me redescubro, não podia deixar de registar o quão especial por vezes sentimos que somos.

hoje senti-me viva de uma forma bastante peculiar

depois de uma "eternidade" dormi mais de 12 horas seguidas e acordei com a cara inflamada. das primeiras coisas que vi: o sorriso da minha irmã com o cabelo todo no ar! ehehehe

aqui estou eu, atirada no sofá, desde o meio dia, sem banho tomado, com o meu pijama mais velho, com os pés frios mas com o estômago forrado por um pequeno almoço, mimosamente oferecido pela minha mana! a minha morita número dois disse-me que as pessoas gostam de me mimar! :)

I really feel very lucky. These are the days when I feel like I'm special! :)

joguei
vi Castle
vi NCIS
ouvi música
partilhei música
naveguei
recordei-me em blogs antigos
e por aqui me retive

hoje estou a ter um bom dia! :)


http://www.youtube.com/watch?v=3BKruKcWM8E

sexta-feira, 13 de setembro de 2013

Azimute perdido

Deixei-me levar pelo chamamento da Kianda.
Mergulhei sem saber o que me esperava, não importava o destino, só a viagem. O doce cantar daquela sereia me embalava e no seu murmurar eu me deixei ninar. Só queria aquele borbulhar por debaixo dos meus cabelos e nunca me perguntei porque aquele canto tão encantador veio ao meu encontro.
...
Inebriada fiquei com tal canção de embalar que o som ritmado das ondas a retumbarem naquela encosta encrespada não escutei.
Tento navegar para um porto seguro, mas não avisto o ninfo-majestoso farol.
...
Nesta imensidão índica, aonde a Kianda não arfa sob a minha pele, só ecoa o seu chamamento do passado. Não há canoa nem jangada, nem mesmo um ciclone que me arraste para trás, para trás da Kianda, só para que lhe possa perguntar: "Que bela melodia é essa que expiras?"

segunda-feira, 2 de setembro de 2013

navegando ao sabor da corrente

por vezes pergunto-me porque tenho tanto medo de ser quem sou: de assumir para mim mesma do que gosto, de quem eu gosto, de quem não gosto, das coisas que me dão prazer, de situações que me deram alegrias e das que me deram tristezas, de ir atrás do que desejo...

olho à minha volta e reconheço um conjunto de seres que me complementa, que me ajuda e relembra de quem sou, ainda assim, por vezes fujo. não duvidaria nada que o fizesse por covardia: essas pessoas são o meu rumo... ou será que, deliberadamente, as ignoro?!

paro para me lembrar de sorrisos, gargalhadas, cabeças encostadas ao meu peito...

fecho os olhos e sorrio. aqui e ali lembro-me de um sorriso de uma foto do whatsapp, de uma brincadeira, de um brinde, de uma frase de marca: "moço vai só", de uma carícia, de um carinho, de uma pesquisa por potencial tronco (não deveria ter verbalizado isso né?! ehehehe), do desejo por uma árvore inteira... e sinto-me tão completa, tão cheia de vida, mas tão fora daquilo que eu acho que sou!

sinto falta de dar! de dar muitas coisas: mimo, amor, amizade, carinho, alma, calor, paz tranquilidade, confiança, alegria,... sinto falta desse meu eu! parece que esse meu eu foi de férias e deixou a casca aqui! tipo um casa-alugada!



sinto falta de aprender coisas novas, de falar de coisas novas, frescas e fora do meu mundo, vindas de um alguém que estava escondidinho num canto, quase imperceptível...

...

inspiro, expiro, inspiro e expiro...
palavras sábias de um "desconhecido": e o que pensas fazer?
resposta: siga para a frente que atrás vem gente! :)


terça-feira, 30 de julho de 2013

Quando a EDEL ligou a energia

Por vezes, de onde menos se espera vem a bofetada que merecemos levar...

Deixo-me estar no conforto de uns braços e esqueço-me do mundo, esquecendo-me eu que o mundo não me esqueceu, e que ali está, do outro lado da porta à espera para me devolver todos os meus pertences, que abandonei no tapete de entrada...

Perguntam-me: "e o que pensas fazer, já que sabes o que tens de fazer?!" nem o meu silêncio me salvou! Ninguém o fará por mim...

Olho por aquele túnel e insisto em vislumbrar um luzinha, lá ao fuuuuuuuundo, mas chegou a hora de ir ao quadro geral, desligar o diferencial, arrancar o fusível e desconectar a fase da coluna montante! E apesar de me perguntar o que irei fazer e continuar sem resposta concreta, pelo menos já tenho uma certamente mais consistente: "Não sei! Só sei que não vou continuar a ser como até hoje!"

Obrigada