Estou condenada à minha solidão
Abandonada por quem não tenho
Desprovida de companhia que nunca houve
Desemparelhada de parceiro inexistente
Presa no aconchego do “meu” apartamento
Sufocando na minha doce almofada
Cegando defronte do meu aspirador de palavras digitais
Tento combater com os Ex-combatentes do Paulo Flores
E pelas suas palavras e melodias me deixar levar
Embalar-me entre camaradas Kill Bill e Hoji a Henda
Sembando com a Dona Maria Luísa e no meio das cores da sua blusa
E Morro Bem…
Uma morte vegetativa
Queria sentir, entre cada costela, todas as gotinhas de suor a que tenho direito
De tanto gingar, sembar, sambar, salsar, kizombar, VIBRAR
Regressa a mim energia, falta de receio, imaturidade e naturalidade
Tenho saudades de ti, meu ser que há muito não te vejo, não te sinto
Sussurra e bafeja o roçar do teu reco-reco no meu corpo e revitaliza-me
Alma minha que te foste, sede a que me votaste
De voltar a ser a Bailarina
