sexta-feira, 13 de setembro de 2013

Azimute perdido

Deixei-me levar pelo chamamento da Kianda.
Mergulhei sem saber o que me esperava, não importava o destino, só a viagem. O doce cantar daquela sereia me embalava e no seu murmurar eu me deixei ninar. Só queria aquele borbulhar por debaixo dos meus cabelos e nunca me perguntei porque aquele canto tão encantador veio ao meu encontro.
...
Inebriada fiquei com tal canção de embalar que o som ritmado das ondas a retumbarem naquela encosta encrespada não escutei.
Tento navegar para um porto seguro, mas não avisto o ninfo-majestoso farol.
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Nesta imensidão índica, aonde a Kianda não arfa sob a minha pele, só ecoa o seu chamamento do passado. Não há canoa nem jangada, nem mesmo um ciclone que me arraste para trás, para trás da Kianda, só para que lhe possa perguntar: "Que bela melodia é essa que expiras?"

segunda-feira, 2 de setembro de 2013

navegando ao sabor da corrente

por vezes pergunto-me porque tenho tanto medo de ser quem sou: de assumir para mim mesma do que gosto, de quem eu gosto, de quem não gosto, das coisas que me dão prazer, de situações que me deram alegrias e das que me deram tristezas, de ir atrás do que desejo...

olho à minha volta e reconheço um conjunto de seres que me complementa, que me ajuda e relembra de quem sou, ainda assim, por vezes fujo. não duvidaria nada que o fizesse por covardia: essas pessoas são o meu rumo... ou será que, deliberadamente, as ignoro?!

paro para me lembrar de sorrisos, gargalhadas, cabeças encostadas ao meu peito...

fecho os olhos e sorrio. aqui e ali lembro-me de um sorriso de uma foto do whatsapp, de uma brincadeira, de um brinde, de uma frase de marca: "moço vai só", de uma carícia, de um carinho, de uma pesquisa por potencial tronco (não deveria ter verbalizado isso né?! ehehehe), do desejo por uma árvore inteira... e sinto-me tão completa, tão cheia de vida, mas tão fora daquilo que eu acho que sou!

sinto falta de dar! de dar muitas coisas: mimo, amor, amizade, carinho, alma, calor, paz tranquilidade, confiança, alegria,... sinto falta desse meu eu! parece que esse meu eu foi de férias e deixou a casca aqui! tipo um casa-alugada!



sinto falta de aprender coisas novas, de falar de coisas novas, frescas e fora do meu mundo, vindas de um alguém que estava escondidinho num canto, quase imperceptível...

...

inspiro, expiro, inspiro e expiro...
palavras sábias de um "desconhecido": e o que pensas fazer?
resposta: siga para a frente que atrás vem gente! :)


terça-feira, 30 de julho de 2013

Quando a EDEL ligou a energia

Por vezes, de onde menos se espera vem a bofetada que merecemos levar...

Deixo-me estar no conforto de uns braços e esqueço-me do mundo, esquecendo-me eu que o mundo não me esqueceu, e que ali está, do outro lado da porta à espera para me devolver todos os meus pertences, que abandonei no tapete de entrada...

Perguntam-me: "e o que pensas fazer, já que sabes o que tens de fazer?!" nem o meu silêncio me salvou! Ninguém o fará por mim...

Olho por aquele túnel e insisto em vislumbrar um luzinha, lá ao fuuuuuuuundo, mas chegou a hora de ir ao quadro geral, desligar o diferencial, arrancar o fusível e desconectar a fase da coluna montante! E apesar de me perguntar o que irei fazer e continuar sem resposta concreta, pelo menos já tenho uma certamente mais consistente: "Não sei! Só sei que não vou continuar a ser como até hoje!"

Obrigada