segunda-feira, 9 de abril de 2012

O pardal que ali ficou

Está uma flecha na asa do pardal. Também lhe cortaram o bico...
O coração está espremido e o suco que dele sai sabe a dor, a angústia e também a fel...

Não consigo expressar o desamor, o desconsolo e o desgosto...

Precisa de um curativo, de um abraço, de alento, de um grito.

Estranha maneira de se cuidar de um papagaio! Em vez de largado ao vento para expelir todas as cores que o libertará, não! Está aprisionado, encarcerado, engolido num mundo a negro, cinza, sem branco...

Não há paz no meio destes dois mundos, porque o pardal está sem bico, não canta a sua tristeza nem alimenta o seu frágil corpo de asa destroçada; o curandeiro não entende o seu sofrimento, simplesmente fica ali: inactivo, coagido à impotência, submerso no desgosto do silêncio da ave ferida...

Largados às suas sortes, encostam-se nos seus cantos, e sugam o suco da dor, da angústia, de fel.