olho para os amigos dos meus pais, para as tias e tios, para as madrinhas e padrinhos, para os mais velhos, para as avós e para os avós e invejo-os... invejo-os porque eles sabiam o que queriam e do que precisavam. sabiam que armas usar, e se não soubessem, inventavam-nas. não tinham nada, ou o que lhes diziam que eles tinham; a cada passo que davam para a frente para a alcançar ,dois aumentavam ao seu trajecto...
nós temos tudo e por isso não sabemos lutar por aquilo que precisámos... muito menos damos valor ao que nos dão, ou que simplesmente está à nossa disposição!
vamos todos kizombar no dia 10 de Novembro!!! mas muitos ignoram que se temos o dito privilégio de desbundar no dia que antecede o da Dipanda foi porque, ou na sua casa, ou na casa do vizinho alguém deu lágrimas, suor, um dia (ou mais) sem comer, horas intermináveis numa prisão desconhecendo a sua sorte... na sua casa, ou na do nosso vizinho, deram filhos, pais, mães, sobrinhos, irmãos: sangue, para hoje, um zé ninguém poder ter o poder de comprar um Tubarão, casas de 5 milhões de dólares...
tenho vergonha de mim por pouco ou nada fazer para que a floresta da Ilha de Luanda não desapareça, para que existam, novamente flamingos no Mussulo, ou para poder voltar a apanhar kitetas na ilha (sim! cheguei a fazer isso!!)
corroo-me com a minha inacção, por não gritar, esbravejar em viva voz contra a chacina cultural, histórica e arquitectónica que as cidades, vilas, aldeias, kimbos, deste país magnificamente inclassificável vai sofrendo.
que nos impregnemos em algo mais do que o nosso comodismo e egoísmo; saibamos reeducar: extinguir a matumbice, incultura e a falta de civismo; valorizemos quem se dilacerou, esventrou e se apagou para podermos ser livres como nos conhecemos
mas menos ainda: não conspurquemos a alma de quem nos deu a liberdade!


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