sábado, 24 de janeiro de 2009

um simples momento...


...e por momentos o meu sangue gelou, o meu coração ficou na indecisão entre bater e não o fazer... as minhas pupilas e narinas dilataram, num esforço sobre-humano de fazer um close-up daquela imagem recortada pela porta automática, de inalar o perfume (suprimido por aquela maldita porta automática) daquele corpo há muito não sentido, não tocado, não vislumbrado... a minha pele... ai a minha pele!... parecia que tinha acabado de ser chicoteada pela fina areia da praia que vai migrando sem destino final...
sustive a respiração (ou terá sido ela que ela me manteve inerte?!); aquele corpo movia-se em minha direcção! aqueles olhos brilharam; aqueles lábios moldaram-se, desenhando o sorriso mais belo de todos alguma vez vislumbrado naquele rosto; aqueles braços abriram-se e aquele peito recebeu-me com todo aquele conforto, calor, odor... se pudesse permanecer ali, para todo sempre...
palavras foram trocadas, nenhuma foi registada.
despedidas foram feitas.
restou o aroma daquele momento, impregnado até à mais ínfima fibra da minha roupa, até ao meu hipoderme! maldito sejas...

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