terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

a chuva vista de baixo para cima

o que sente a chuva em cada um...na eminência de ser agredida pelos megawatts de house music, ao ser agredida pelo corpo que a sacode, ao ser arranhada por cada epiderme têxtil tecido papel e vidro?!?!?

será que grita (silenciosamente) e desesperadamente por regressar à mãe que a largou, que abandonou à sua sorte?!
nuvem vil... ingrata e insensata!!! não sabia ela que estava a dinamitar a própria cria, desfeita por aqueles que a recebem com desprezo?!?! depois de tanto tempo a preencher, de a acompanhar nos balanços do vento, brincando de esconde-esconde, aqui e ali com as paisagens, com os pintores, com daltónicos, com os heliofóbicos...

largada à sua sorte, vai contornando todos os recantos concentrados de odores e fedores, espremendo-se naquela manada de gente desejosa de a sentir! argh... repugna, náusea, asco...

obrigada a carregar com ela toda aquela podridão, pensamentos fétidos, de que todos se querem livrar...

chuva conspurcada, gota violada e violentada, agredida, abandonada e largada, perdida e depois esquecida...

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