sábado, 25 de outubro de 2008

afogo-me num chuveiro

e porquê é que me deixo estar?! e porque é que não pego em mim e deixo que aquela água fresca percorra o meu corpo?! que cada gota penteie-despentei-penteie-despenteie o meu cabelo consoante vou balançando a minha cabeça ao ritmo da precursão que a água perpetra no fundo do meu cérebro... se ela me ajudasse a acordar...
canta no meu ouvido, entupido de cera que me impede de ouvir o que há muito tenho que ouvir!
desfaz as algemas, tal papel, que há muito e ficticiamente amarram as minhas mãos - não têm atitude!!!!
descola os meus pés, desse funge que há muito grudou na sola das chinelas e que falsamente me impede de ir no encalço daquela que há muito vi e finjo que não existe, mas sim só para os outros - a esperança existe para todos, só temos é que saber ter coragem e abraçá-la como o se fosse o nosso mais amado ursinho de peluche...
faz fluir por dentro mim, pelos meus vasos de (n)linfa, o amor que por mim deveria nutrir e subtrai-me esta letargia.
água do bengo em mim, sobre mim e sob mim... boio os meus pensamentos tal banho-maria. não hão-de cozinhar, talvez passarão do prazo, mas não deixarão de ser ideias cuja coragem faltou para as concretizar.
corpo limpo e são;
mente conspurcada e pútrida

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