domingo, 19 de outubro de 2008

apatrida com pátria

um cachecol sobre um tabelier...
pensar que nunca o faria com a bandeira da minha pátria; pensar que não me seria permitido fazer com a bandeira da minha terra. porque me é retirado o direito a amá-la só porque quem me gerou, aqui não foi gerado nem criado?! não foram, nem gerados nem criados mas amam-na e ensinaram-me a amá-la e respeitá-la, igualmente...

não reconheço noutra, o calor que os meus pés transmitem ao meu corpo quando a sua poeira, deliberadamente, penetra pelas costuras dos meus mocassains (sei lá se é assim que se escreve!!)

não reconheço noutra, a sinceridade de um sorriso de um desconhecido na rua...


tal como Lueji, também sinto no meu sangue, na minha pulsação, a ritombar do batuque, tal a vibração das palhetas do kissange; na minha pele, as notas do reco-reco a saltitarem por cada seu milímetro quadrado: rek-rek rek-rek rek-rek-rekkkk...


porque dizem/pensam que não posso cantar, com os olhos marejados, "Angola no coração" ou traulitar "vou falar-vos de uma nova terra, agora sem guerra, angola... do meu coroção"?!?!?

digo sem medo: estou "perto de quem eu sou" e nunca ninguém me vai tirar isso

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